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Inspirada pelos avós, professora “maluquinha” crê em mudança por meio da educação

Por Escrito em: 07/10/2019
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Por Equipe Mathema

Natural de Castro (PR), Aurora da Aparecida Ferreira Prioto é professora de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Filha de agricultores, sempre enfrentou dificuldades para estudar, pois a escola era longe. Mas a inspiração para seguir em frente vinha de seus avós, com quem passou boa parte da infância.

De seu avô materno herdou o gosto pelos números. “Ele fazia cálculos mentais com facilidade para vender os alimentos que produzia”, conta Aurora. “E à noite, ao redor do fogão à lenha, me ensinava a calcular”, completa. Já a avó paterna, apesar de analfabeta, adorava contar histórias. “Me encantava todos os dias”, lembra. Com tanta inspiração, ela sentia que precisava disseminar esses conhecimentos, e aos 10 anos virou professora das irmãs mais novas “no mundo do faz de conta”.

Aurora conheceu o Mathema em 2017 e aperfeiçoou algumas práticas pedagógicas a partir do curso Didática da Matemática. No mesmo ano, ela criou a primeira Feira Interativa de Matemática na escola em que trabalha, assim como uma sala específica para a confecção de materiais para as atividades propostas em sala. Conheça um pouco mais sobra a Aurora:

1. Como decidiu se tornar professora?

Passei boa parte da minha infância com meus avós. Foram eles que me incentivaram a buscar conhecimento e a ser professora. Meu avô materno fazia cálculo mental com facilidade no seu dia a dia para vender os alimentos que produzia. À noite, ao redor do fogão à lenha, passava horas me ensinando a calcular. A minha avó paterna era analfabeta, mas adorava contar lindas histórias que me encantavam a cada dia. Tudo o que aprendia com meus avós precisava compartilhar com alguém! Sentia necessidade de falar. Então, aos 10 anos já era professora das minhas quatro irmãs mais novas “no mundo faz de conta”.

2. Por que você faz esse trabalho?

Porque acredito na frase de Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.  A Educação transformou minha vida e eu luto por melhorias.

3. O que te motiva a dar aulas?

Perceber a evolução da educação no campo apesar das dificuldades. Porque encontro alunos que veem a escola como uma oportunidade de vida melhor; e porque o conhecimento deve ser compartilhado.

4. Qual é o maior desafio dessa profissão para você?

 Os recursos destinados à infraestrutura e o material didático, além do envolvimento das famílias na educação.

5. O que sente ao ver seus alunos evoluindo na aprendizagem?

Me sinto muito feliz. É algo que não tem preço. É a motivação que fortalece e incentiva a acordar cedo, andar sempre carregada de materiais, manter uma formação continuada, refletir e mudar a metodologia sempre que necessário.

6. Quem é a sua maior inspiração para ensinar?

Minha família e os alunos.

7. Há alguma lembrança especial dos tempos em que era aluna?

Sim. No sítio onde morava, a escola disponibiliza somente até a 4ª série. Com 11 anos terminei [os estudos], mas com defasagem em Matemática. Queria continuar. Tive que esperar completar 14 anos para me matricular no supletivo, que era cursado por matéria. Quando iniciei, pedi para que deixassem a Matemática por último, pois era o maior desafio a ser vencido. Assim foi feito. No entanto, a professora de Matemática me surpreendeu. Foi nesse momento que aprendi [a matéria]. Mas para ensinar aos alunos, somente depois que conheci o Mathema. 

8. Qual a melhor coisa em ser professora?

É saber que você compartilha conhecimento e faz a diferença na vida das pessoas.  É reencontrar ex-alunos e tê-los como colegas no mesmo local: professores, motoristas.

9. Se você fosse uma música ou um personagem, qual você seria?

O menino maluquinho, do Ziraldo. Na infância fui parte dele, às vezes me sinto maluquinha.

10. Se fosse definir a sua profissão em uma palavra qual seria?

Felicidade

11. O que significa ser educador para você?

É amor à profissão, é dedicação. É fazer uma viagem, um passeio, ir a uma feira mesmo em época de férias e, por meio da observação, perceber que pode usar aquela ideia, aquela música, aquela obra de arte, aquele vestuário para planejar uma aula e levar algo diferente aos alunos dentro do conteúdo que precisa ser trabalhado.

12. Qual momento na sua vivência de educadora mais te tocou?

Foi quando fui convidada a fazer parte do projeto Reencantando a Educação, no qual a minha missão era trabalhar com alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental com defasagem de aprendizagem. Na primeira semana de trabalho me desesperei. Será que iria dar conta? Os alunos não viam sentido em estudar, não queriam ir à aula. No decorrer do ano transformei a sala de aula. Até um minimercado construí, os alunos adoraram. No fim do ano, a alegria no olhar de cada um era contagiante, quanta aprendizagem, eles eram capazes de aprender.

13. Quando conheceu o Mathema?

Conheci o Mathema em 2017, quando iniciei curso de Didática da Matemática, do programa Formar.

14. O que mudou quando o Mathema passou a fazer parte do seu dia a dia no trabalho?

A partir do momento que conheci a metodologia do Mathema, passei a usar em sala [de aula] e mudei minha prática pedagógica. Como a escola não tem recursos, fui confeccionando materiais para trabalhar e montei uma sala específica para projetos. Os alunos passaram a compreender os conteúdos e a querer apresentar o que haviam aprendido. Tornei-os protagonistas, e já no primeiro ano surgiu a Feira Interativa de Matemática. Hoje, a escola está se preparando para a 3ª edição. 

 

E aí, gostou da história da Aurora? Você também pode participar da série #históriasdeprofessor. Compartilhe a sua história conosco enviando um e-mail para comunicacao@mathema.com.br.

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