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CURRÍCULO: O QUE ENCONTRAMOS NA ESCOLA DE HOJE

Por Escrito em: 23/05/2019
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Maria Ignez Diniz

Diretora do Grupo Mathema

 

Há dois currículos na escola de hoje. Um efetivo, real, acontecendo nas salas de aula, e um segundo, contido nos discursos, nos documentos oficiais e oficiosos, entre regimentos, planejamentos, diários, livros didáticos e PCNs.

Se falarmos do primeiro, seu centro é a aula de cada dia, com suas atividades quase sempre ligadas ao conteúdo específico e que, para serem realizadas, exigem certa organização de espaços e tempos, que, por sua vez, exigem envolvimentodos alunos nos espaços e tempos disponíveis.

O segundo currículo compõe o cenário institucional e vai, pouco a pouco, transformando as práticas pedagógicas, em um processo lento e, por vezes, caótico. Primeiramente ele se transforma em discurso; depois, como água em pedra dura, vai fazendo mudanças nas direções em que a pedra é mais porosa ou menos resistente.

É isso que encontramos na escola. A estrutura da escola em que todos nós estudamos, com professores especialistas(mesmo no caso de polivalentes), aulas específicas para cada disciplina, horário de aulas curtas (por terem sido consideradas adequadas à transmissão de informações, sem cansaço excessivo dos alunos, meros ouvintes), conteúdos com fronteiras bem definidas e com forte caráter introdutório. A lógica do ensinoé a lógica dos conteúdos específicos .

Por muito tempo tivemos professores formados assim, famílias formadas assim e materiais produzidos nesta perspectiva de escola. Isso resulta,  finalmente, em uma estrutura de organização que dificulta bastante qualquer tentativa de integração ou articulação mais cuidadosa, seja dos conteúdos, seja das pessoas dentro da escola, e mostram a “rocha” em que a água deve bater.

O currículo presente nas nossas escolas é pautado no código da especialização denominado mosaico, apesar do discurso negar veementemente isso. Tempos, espaços, conteúdos e professores especialistas guardam limites estreitos entre si, marcando bem as peças de um grande mosaico que deveria se transformar no conhecimento que a escola deseja que os alunos aprendam.

Nesse momento, vejo o currículo da escola assim:, éa rocha construída pelos saberes de gerações sendo erodida pelas novas teorias de aprendizagem, metodologias e posturas mais críticas de quem pensa a escola dentro desta sociedade em constante e – cada vez mais – acelerada mudança.Mas, sem dúvida, o currículo que encontramos em nossas escolas hoje ainda tem a forma da rocha original.

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