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Professor de Aquiraz (CE) vence jornada e garante: me sinto realizado profissionalmente

Por Escrito em: 27/08/2019 | Atualizado em 16/09/2019
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Por Equipe Mathema

Filho de agricultores, Nilton nasceu em Aquiraz (CE). Como morava na zona rural e o acesso à escola era difícil, começou a estudar apenas aos 10 anos. Estudar para ele era uma jornada diária, pois tinha que atravessar um longo caminho com seu irmão e seus primos pela mata, a pé, por dois quilômetros.

Após o irmão de Nilton reprovar duas vezes, seu pai fez uma pergunta bem comum à época: “Você quer estudar ou trabalhar?”. Quase que por instinto, Nilton respondeu: “Quero estudar, papai”. Então ficou decidido. Ele estudaria e o irmão trabalharia.

No Ensino Médio, ele dava aula de reforço para as colegas de sala. Depois disso, deu aula em um sítio próximo de sua casa e até trabalhou com Odontologia, em Fortaleza. A primeira vez como educador de Matemática aconteceu oficialmente quando Nilton cobriu a licença de um amigo por três meses. Logo em seguida, deu aulas a distância e passou em um concurso para lecionar em uma escola pública.

Foi apenas em 1.999 que conseguiu uma bolsa para cursar Pedagogia. Entre os momentos mais marcantes de sua carreira está o dia em que foi homenageado por colegas de trabalho com um cartaz com os seguintes dizeres: “Você ajudou muitos alunos a seguirem o caminho do bem”.

Vinte anos após o ingresso na faculdade de Pedagogia, Nilton conheceu o Mathema e, antes mesmo de finalizar o curso já colhe os frutos da prática de novas metodologias. “É um curso muito bom, que nos faz refletir sobre a prática em sala de aula, e ensina como trabalhar os conteúdos com os alunos de forma que eles aprendam”.

Confira um pouco mais sobre a história de Nilton. E você, gostaria de participar da série #históriasdeprofessor? Compartilhe sua trajetória com a gente escrevendo para contato@mathema.com.br.

1. Quando decidiu se tornar professor?

Quando cursei o ensino médio,  tinha três colegas de turma que sempre me pediam para dar aulas de Matemática, pois tinham dificuldades. Elas diziam que aprendiam comigo. Quando concluí o ensino médio, comecei a dar aulas de reforço escolar e depois fui convidado para cobrir a licença de um professor de Matemática. Foi assim que comecei a lecionar e assumi a missão de ensinar.

2. Por que você faz esse trabalho?

Porque gosto e acredito na educação. Acredito que com a educação podemos melhorar a vida das pessoas e construir uma sociedade justa, fraterna e menos desigual.

3. Qual a motivação para dar aulas?

Pelo desejo de ensinar alguém que não sabe o que sei, e despertar os alunos para o conhecimento.

4. Qual é o maior desafio da profissão?

Despertar nos jovens e adolescentes o desejo de querer aprender, estudar e acreditar neles mesmos.

5. O que sente ao ver seus alunos evoluindo na aprendizagem?

Sinto uma grande satisfação e vontade de avançar mais e mais no ensino. Me sinto realizado profissionalmente.

6. Há alguma lembrança especial dos tempos em que era aluno?

Sim. Quando criança, comecei a estudar aos dez anos de idade no grupo escolar Francisco Vidal Câmara, na zona rural, distante aproximadamente dois quilômetros da minha casa. No ano seguinte, passei para a 2ª série e tive que ir para outra escola, ainda mais distante, no centro da cidade. O meu irmão estava cursando a 3ª série e foi reprovado. Fiquei estudando na mesma turma, junto com ele. Mas eu passei para a 4ª série, e ele não.  Então, meu papai nos chamou e perguntou ao meu irmão se ele queria estudar ou trabalhar. Ele respondeu que queria trabalhar. Meu pai fez a mesma pergunta para mim, e eu respondi que queria estudar.  Então, ele decidiu: – Nilton, você vai estudar. E o e o Zé Milton vai trabalhar. Com isso, assumi o compromisso de estudar, me dediquei e com muito esforço sempre passei por média.

7. Qual a melhor coisa em ser professor?

É poder ensinar, ser reconhecido como profissional e pelos alunos que aprenderam com você. É encontrar seus ex-alunos e ouvir deles:  “Professor, eu consegui passar no vestibular”, ou “Eu terminei o curso que eu queria e já estou trabalhando”. Enfim, ver pessoas contentes, bem-sucedidas e que me agradecem por ter contribuído para o sucesso deles.

8. Se você fosse uma música ou um personagem qual você seria?

Leci Brandão – Anjos da Guarda. “Professores, protetores das crianças do meu país… É na sala de aula que se forma o cidadão”, diz a letra.

9. Se fosse definir a sua profissão em uma palavra qual seria?

Compromisso

10. O que significa ser educador para você?

Aquele que aprendeu a diferenciar o certo do errado, e faz o certo. Aquele que faz uso do seu conhecimento em prol da sua vida e da vida dos outros. Aquele que está a serviço do bem da comunidade, da sociedade e não se deixa ser manipulado por malfeitores, enfim, aquele que acredita na educação como um processo permanente e dialético que acompanha o ser humano em toda a sua existência.

11. O que mudou quando o Mathema passou a fazer parte do seu dia a dia no trabalho?

Ainda estamos no segundo módulo do curso. Eu não estou em sala de aula, estou participando como técnico da Secretaria de Educação, pois estou na coordenação de jovens e adultos, e ajudo no projeto Expedição do Saber, que prepara os alunos do 9º ano para as provas externas. No entanto, usei as estratégias que aprendi no curso e deu muito certo! Os alunos gostaram e comentaram com alguns colegas meus que aprenderam. É um curso muito bom, que nos faz refletir sobre a prática em sala de aula e ensina como trabalhar os conteúdos com os alunos de forma que eles aprendam.

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1 Comentário para “Professor de Aquiraz (CE) vence jornada e garante: me sinto realizado profissionalmente”

  1. AvatarMaria Zilmar Timbó Teixeira Aragão disse:

    Esse texto é inspirador. Transmite simplicidade e sinceridade. Reconfortante constatar que apesar de muitos discursos tentarem desqualificar a profissão, ainda existem profissionais dignos e que fazem justiça ao título de mestres.

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