Mathema Mathema
Papel recortado de formas geométricas

DICIONÁRIO DE FORMAS

Por Escrito em: 30/05/2019
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Texto de Ângela Lago

Ilustrações de Patrícia Lima

 

Era uma vez eu, Zé Sorveteiro, que me apaixonei por uma princesa que acabara de chegar do outro lado da Terra. Bolei para ela um dicionário de quatro palavras: bola, quadrado, retângulo, triângulo. Japonês se escreve com desenhos. Com desenhos a princesa aprenderia português!

Não demorou, ela estava arrasando. Ia até meu carrinho e pedia, desenhando no ar:

– Triângulo-bola.

Sorvete na casquinha! O dicionário funcionava às maravilhas.

Eu? Mandava bilhetes. Desenhava um quadrado com um triângulo em cima e escrevia: casa!!! Caprichava nos pontos de exclamação. Casa!!! Casa!!! Fácil de entender: casa comigo.

Mas toda princesa tem uma fera para encontrar bilhetes. Uma hora a fera mandou me chamar. Aí…

Aí eu transformei ponto de exclamação em sinal de aguaceiro:

– Um traço com um pingo é chuva. Três – !!! – muita chuva. Casa, chuva, chuva, chuva.

Estou só avisando… Cuidado com goteiras.

Acabei subindo e limpando as calhas do telhado do futuro sogro e as de cada um de seus amigos e parentes.

Hoje, 60 anos depois, repito, valeu a pena. E lá vou eu apanhar uns triângulos vermelhos para a minha rainha arrumar no triângulo do retângulo do quadrado da frente. Perfeito. Daqui a pouco a jarra da mesa da sala estará toda perfumada com os…

Como é mesmo? Vá lá! Com os triângulos vermelhos.

A geometria está  por toda parte

 

Objetivos

  • Reconhecer, nomear, comparar, descrever e desenhar formas geométricas planas e não planas;
  • resolver problemas;
  • compreender o que é um dicionário e qual sua utilidade.

Recomendação

Crianças a partir de 7 anos divididas em grupos de até 4 alunos.

Material

  • Papel sulfite
  • Lápis de cor
  • Giz de cera
  • Papel espelho recortado em quadrados, círculos, triângulos e retângulos
  • Sólidos geométricos (cones e esferas)
  • Jornais e revistas
  • Bulas de remédios
  • Dicionários
  • Enciclopédias
  • Livro infantil

Organizado por

Patrícia Cândido

Coordenadora do NIEB

 

Primeira etapa

Organize a classe em grupos. Leia apenas o título do conto e questione qual é o tema da história. Pergunte se todos conhecem o dicionário. Depois apresente, sem dizer os nomes, diferentes portadores textuais, como revista, jornal, dicionário, enciclopédia, livro infantil e bula de remédio.

Peça, então, que a turma defina qual é o dicionário. Quando as crianças chegarem a um consenso, solicite que elaborem, junto com você, um texto sobre as características desse livro e sua utilidade.

Leia o conto sem interrupções. Ao terminar, faça um debate sobre como é o dicionário que Zé Sorveteiro bolou. Quais as semelhanças e diferenças entre este e o que a classe havia analisado? Por que na situação mostrada na história um dicionário de formas faz mais sentido?

É hora de as equipes elaborarem uma dramatização para o conto e apresentarem aos colegas. Aproveite para questionar as diferentes interpretações dadas, já que a aventura de Zé Sorveteiro inclui muitas metáforas envolvendo formas.

 

Segunda etapa

Liste com a garotada o nome das formas que Zé Sorveteiro pôs no dicionário e leve todos para procurar pela escola objetos onde elas apareçam. Ao encontrar algo que contenha uma ou mais formas do dicionário, os estudantes devem parar e desenhá-lo numa folha branca, com giz de cera ou lápis de cor. De volta à sala, todos explicam seus desenhos aos colegas.

Organize a classe em grupos de quatro e entregue a cada um figuras de triângulos, círculos, quadrados e retângulos recortadas em papel espelho, além de sólidos geométricos na forma de cone e esfera. Faça outra leitura do conto, agora explorando os trechos em que as idéias são criadas com base nas quatro figuras, como o sorvete ou o vaso de flores.

Desafie a garotada a reproduzir essas ideias. Neste momento, é possível que surjam muitas discussões. Explore mais demoradamente a passagem em que a princesa pede um sorvete desenhando no ar “triângulo-bola”. Provavelmente os estudantes reproduzirão essa imagem de maneiras diversas: com o triângulo e o círculo, com o cone e a esfera, com o triângulo e a esfera ou com o cone e o círculo.

Discuta as diferentes soluções, o que mais bem traduz o pedido da princesa (cone e esfera) e por que ela mostrou o triângulo e a bola. Explique que, no dicionário de Zé Sorveteiro, não havia um repertório maior de formas e as figuras utilizadas eram as mais parecidas com um cone e uma esfera.

Encerre a atividade elaborando com a classe uma lista das semelhanças e diferenças entre o cone e o triângulo e entre o círculo e a esfera. Talvez alguns digam que a esfera é gorda ou cheia e que o círculo é magro ou fino. Isso mostra a percepção de que o círculo é plano e a esfera, não.

 

Terceira etapa

Releia o conto e aproveite para apresentar alguns problemas. Tome o trecho: “Hoje, 60 anos depois, repito, valeu a pena”. Se esse texto foi escrito em 2003, pergunte quando o personagem subiu no telhado da casa do futuro sogro para limpar as calhas. Sabendo que isso ocorreu três anos antes de se casar, em que ano ele se casou? Que idade tinha no casamento?

Destaque o trecho: E lá vou eu apanhar uns triângulos vermelhos para minha rainha arrumar no triângulo do retângulo do quadrado da frente. Questione:

  • De que parte da casa e de que objetos Zé Sorveteiro está falando? (A turma deve ilustrar o que imagina ser a resposta).

Forme duplas e sugira que elaborem algumas adivinhações com base nas figuras estudadas, como fez o personagem da história. Depois troque os trabalhos para que a garotada descubra o segredo dos colegas.

Para finalizar, os alunos (divididos em duplas) elaboram uma história contando o que aprenderam sobre as formas geométricas.

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