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UMA REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DO EIXO TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO

Por Escrito em: 23/05/2019
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Mirela Mendes

O eixo tratamento da informação vem ganhando espaço na educação desde que foi proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN do Ensino Fundamental (Brasil, 1997 e 1998). Neste documento recomenda-se ensinar, desde as séries iniciais, coletar dados, organizá-los em tabelas e gráficos, resumi-los utilizando estatística, de tal forma a extrair padrões e tendências dessas informações . Também é indicado trabalhar a leitura e a interpretação de gráficos, tabelas e informações estatísticas veiculadas pela mídia.

Além disso, os PCN sugerem o trabalho com a ideia de probabilidade a fim de que o aluno compreenda os fenômenos da natureza e da vida cotidiana que tenham caráter aleatório. Os parâmetros indicam trabalhar com as possíveis maneiras de combinar elementos de uma coleção e de contabilizá-las, representar e elencar os casos possíveis; explorar a ideia de probabilidade e combinatória em situações–problema.

Diante desse panorama, no presente texto pretendemos fazer uma reflexão a respeito do estudo do eixo tratamento da informação e sua importância, discutindo os objetivos de ensino e aprendizagem do mesmo na escola atual. No início dos anos 80, Mendoza e Swift (1981). citados por LOPES (2008), destacaram que a estatística e a probabilidade deveriam ser ensinadas para que todos os indivíduos pudessem dominar conhecimentos básicos desses temas para atuarem na sociedade.As propostas curriculares recentes de matemática, em todo mundo, dedicam atenção especial ao assunto, enfatizando que o estudo dos mesmos é imprescindível para que as pessoas possam analisar índices de custo de vida, realizar sondagens, escolher amostras e tomar decisões em várias situações do cotidiano.

Contudo, os professores que lecionam Matemática na Educação Básica, quando estudaram Estatística e Probabilidade nos cursos de Pedagogia ou de Matemática, não viram essesconteúdos como objetos a serem ensinados para alunos da educação infantil e anos iniciais. Assim, o eixo Tratamento da Informação, apesar de indicado nos PCN, muitas vezes é colocado no final do planejamento. Como justificativa, alega-sea falta de tempo ou a falta de entendimento da sua real importância para a escolaridade e desenvolvimento do aluno.

Em geral, os currículos de Matemática praticados na escola enos livros didáticos, propõem  que os alunos aprendam a construir e a utilizar tabelas e gráficos simples, geralmente em barras verticais, e ainda ler e interpretar a informação assim apresentada.Assim, faz-se necessário que os estudos sobre o ensino do eixo Tratamento da Informação cheguem aos professores, pois são eles que ensinam estatística e probabilidades às crianças e aos adolescentes.

 

Um Olhar Particular para a Estatística

Para pensar o estudo do eixo Tratamento da Informação nas aulas de matemática, precisamos ter claros quais são os objetos de estudo e seu campo de atuação.Segundo documento da Secretaria Municipal de Educação de Caxias do Sul (2008), o eixo envolve noções de estatística, possibilidades e elementos do estudo da probabilidade, além de problemas de contagem que englobam o princípio multiplicativo. É o campo da disciplina que estuda processos de obtenção, organização e análise de dados e métodos pelos quais é possível tirar conclusões e até fazer previsões sobre um fenômeno em estudo.

No documento referido, considera-se que, quando falamos do eixo Tratamento da Informação, não podemos desconectar da palavra estatística. Lopes (2008) refere-se à educação estatística como a possibilidade do desenvolvimento de formas particulares de pensamento e raciocínio, presentes nos fenômenos aleatórios, na interpretação de amostras, nas inferências e na sistematização de  resultados por meio da linguagem estatística. Segundo a autora(2008), é importante que haja ênfase para a coleta, a organização, a análise de informações, a construção e interpretação de tabelas e gráficos, a determinação da probabilidade de sucesso de um determinado evento por meio de uma razão. É importante que tais dados estejam relacionados a pesquisas que abordem temas próximos à realidade do aluno.

Os alunos necessitam ter a oportunidade de adquirir a compreensão da lógica das pesquisas estatísticas, desenvolvendo ideias sobre a natureza e os processos de uma pesquisa. Nesta perspectiva, parte-se da formulação do problema e da pergunta subjacente ao tema que se quer investigar. Num segundo momento, planeja-se a coleta e a organização das informações, ao passo que na terceira fase são analisados os dados e posteriormente. O processo é finalizado  no momento em que ocorre a interpretação e discussão dos resultados, instância que privilegia a tomada de decisões sobre a temática investigada.

Possibilitar a vivência dessas etapas permite que o aluno adquira domínio de certos procedimentos estatísticos. Ainda, de acordo com Lopes (2008), o desenvolvimento de atitudes estatísticas positivas depende desse processo. Dessa forma, vivenciar o processo de tratamento de informações é fazer estatística.

Na opinião de Shaughnessy (1992, 1996), citado por Lopes (2008), ser competente em estatística é essencial aos cidadãos das sociedades atuais. A habilidade possibilita o estudante ser crítico em relação às informações  disponíveis no cotidiano,compreendendo e comunicando-se com base na própria interpretação dos dados. É também uma  via importante para a tomada de decisões, uma vez que  grande parte da organização dessas mesmas sociedades, social é feita com base nesses conhecimentos.

O raciocínio estatístico pode ser definido como o modo como as pessoas raciocinam com as ideias estatísticas, conseguindo assim atribuir significado à informação. É um processo que envolve fazer interpretações com base em conjunto de dados, representações de dados ou resumos de dados. Na sala de aula é importante que apareça uma preocupação com a estatística. O estudo dos conteúdosirá possibilitar o desenvolvimento de formas particulares de pensamento e raciocínio para resolver determinadas situações-problema, nas quais é necessário coletar, organizar e apresentar dados, interpretar amostras, interpretar e comunicar resultados por meio da linguagem estatística.

 

A Probabilidade

Integrado ao ensino da estatística, não podemos esquecer do trabalho com a probabilidade. Segundo documento da secretaria municipal de Caxias do Sul (2008), a principal finalidade da probabilidade na escola básica é a de que o aluno compreenda que muitos dos acontecimentos do cotidiano são de natureza aleatória e que se pode identificar possíveis resultados desses acontecimentos e até estimar o grau de possibilidade acerca do resultado de um deles. As noções de acaso e incerteza, que se manifestam intuitivamente, podem ser exploradasem situações em que o aluno realiza experimentos e observa eventos.

ParaLopes (2008), a competência nesses assuntos permite aos alunos uma sólida base para desenvolverem estudos futuros e atuarem em áreas científicas como a Biologia e as Ciências Sociais. Além disso, ao considerarmos o mundo em rápida mudança como o que estamos vivendo, é imprescindível o conhecimento da probabilidade de ocorrência de acontecimentos para agilizarmos a tomada de decisão e fazermos previsões.

Considerações Finais

As considerações teóricas apresentadas neste texto se traduzem em uma sistematização decorrente de reflexões realizadas até o momento. Elas buscam apontar para a necessidade de outras pesquisas e outras práticas a serem elaboradas, além de refletir sobre o objeto de estudo do eixo Tratamento da Informação. Para falar sobre sua importância, é preciso debater sobre as metas  ensino e aprendizagem desse conjunto de conceitos matemáticos na escola atual.

Evidencia-se que o ensino da estatística e da probabilidade nos anos iniciais deve proporcionar aos alunos a possibilidade de fazer investigações e explorar a perspectiva metodológica da resolução de problemas. Além disso, a interpretação dos gráficos deve desenvolver sua habilidade de comunicação ao discutir, descrever e apresentar os resultados obtidos.

A necessidade em lidar com grande número de informações disponível na atualidade  faz crescer a importância e o interesse dos conteúdos ligados ao Tratamento da Informação. Por isso, é cada vez maior a importância de se ampliar as pesquisas com foco nesse eixo, explorando a aprendizagem dos alunos, os objetivos de ensino e a prática docente nos diferentes anos de escolaridade.

 

Referências bibliográficas:

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília:MEC/SEF,1998.

LOPES, Celi E. A Educação Estatística no Currículo de Matemática: um Ensaio Teórico___________

LOPES, Celi E. O Ensino da Estatística e da Probabilidade na Educação Básica e a Formação dos Professores. Caderno CEDES vol. 28 nº 74. Campinas, 2008.

ZINI, Adriana e MARINÊS, F. da Silva (org.). Grupo de Estudos de Educação Matemática e Científica. Secretaria Municipal da Educação. Caxias do Sul, 2008

ZENI, José Ricardo R., FARIA, Juraci C. Estatística e Tratamento da Informação. Projeto Teia do Saber – Secretaria de Estado da Educação. UNESP Guaratinguetá, 2006.

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2 Comentários para “UMA REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DO EIXO TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO”

  1. AvatarRENATA MENDES DOS SATOS disse:

    Oi sou super fã do Mathema e indico para todos os profissionais que conheço. Gostaria muito de um curso voltado para o tratamento da informação – gráfico, tanto para educação infantil quanto para anos iniciais. O que vocês podem me indicar?

    1. AvatarMargarete disse:

      Oi Renata, bom dia! No momento, não temos nenhum curso de estatística, somente de probabilidade. 😉

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